Santiago, como se fosse pra mim

O Chile me chamou. Comecei por Santiago, já sabendo que me esperava uma capital seca, longe dos meus habituais 80% de humidade carioca. A garganta reclamou no primeiro dia, mas se acostumou logo, porque era impossível não querer pertencer àquela cidade como se ela sempre houvesse habitado as minhas memórias. Céu azul e sol de primavera me receberam de braços abertos, difícil foi convencer o nariz de que aquela secura era agradável e bem-vinda.
Pão, palta e chá me deram as boas vindas. Descobri no dia seguinte que as ruas tão movimentadas do centro durante a semana se transformam em domingos silenciosos.
Um restaurante japonês e mais palta foi o almoço do dia, que incrível o makimono envolto em palta, deveriam fazer aqui no Brasil. O amor pelo futebol, paixão nacional, quebrou o silêncio do dia, com torcedores do Colo Colo em festa passando em ônibus e carros, vestidos de bandeira, vestidos de esporte.

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Foto: Arquivo Pessoal

Os coloridos grafites foram parte constante das minhas andanças por Santiago, a cidade exala uma vibração e uma juventude que não se vê em qualquer lugar, traduzidos principalmente pelas coloridas artes expostas em qualquer pedaço de muro que possa ser preenchido. A segunda-feira veio fulgaz, com gente apressada cruzando os sinais da Alameda, gente vestida de trabalho e com pressa de terminar o dia, quando tudo que eu queria era que os dias durassem para sempre. Trocar dinheiro é muito fácil em Santiago, há muitas casas de câmbios disponíveis nas ruas do centro, e o dinheiro rende a partir do momento em que você entende os valores, no meu caso levei no bolso uma tabela para comparar com reais sempre que batesse a dúvida.

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Foto: Arquivo Pessoal

A livraria do GAM (Centro Cultural Gabriela Mistral) convida à conhecer e desvendar a literatura chilena, na minha fome literária passei bastante tempo por lá. Muito perto dali me deparei com uma entrada para um lugar mágico, após alguns minutos percebi que se tratava do Cerro Santa Lucía, que havia pensado em ir no dia seguinte, mas foi irresistível não entrar naquele momento. Os muitos cachorros de rua de Santiago parecem ter um chamego especial pelo Cerro, talvez seja pelo som da fonte, todos se embebedam em suas sombras como se não houvesse amanhã. Lá não paga entrada, basta assinar o livro do moço simpático, subir as escadas e contemplar a vista da cidade.

Foto: Arquivo Pessoal

Foto: Arquivo Pessoal

O resultado dessa segunda-feira foi um Neruda e um Vargas Llosa, livrarias não faltam na cidade. Terça-feira me convidou à um passeio no bairro Lastarria e depois ao Museu Chileno de Arte Pré-Colombiano, apaixonante, por ali mesmo almocei. La Chascona era o que eu queria tanto conhecer, e não me decepcionou em nenhum detalhe, uma casa envolvente, de um escritor fabuloso Neruda, num bairro incrível chamado Bellavista, com um charme sem fim, que pede uma cerveja de fim de tarde esticada pra noite no pátio de mesmo nome. Mais um dia, um funicular, uma subida e um Cerro chamado San Cristóbal. Um passeio delicioso, que pedia uma empanada pro almoço, atendi prontamente. Comprei meus postais, me apaixonei mais algumas vezes, pelas flores, pela vista, pela viagem, pela vida. Fui-me embora pra voltar. Uma coisa inesquecível? Chá todos os dias!

Foto: Arquivo Pessoal

Foto: Arquivo Pessoal

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